Homem preto que não é gay não pode expressar feminilidade

August 4, 2020

 

 

Sem querer me aprofundar no conceito de feminilidade, vou usar essa palavra aqui de forma ilustrativa para expressar o que seria um comportamento exclusivamente feminino. 
 
Eu, quando pequeno, sempre tive uma grande queda por brincos e maquiagem das mulheres da minha família. Em algumas ocasiões, coloquei brincos de pressão, passei lápis preto nos olhos e batom na boca até que um dia fui surpreendido por minha avó materna que me deu um sermão dizendo que eu não podia usar aquilo porque era coisa de meninas. E ainda me perguntou se eu queria ser confundido com um “maricas” (nome pejorativo para homens gays), e eu de pronto disse: Claro que não! A partir desse momento, nunca mais me maquiei e usei brinco. Aliás, a homofobia cultural me ensinou que ser gay é feio, é ridículo, além de ser um xingamento. Então, a própria homofobia que existia em mim me aprisionava a ponto de não me permitir expressar minha feminilidade. 
 
Mais adolescente, eu fazia as unhas das mãos e passava base para ir à escola, mas um dia uma menina viu minhas unhas benfeitas e me ridicularizou. De novo, acabei me retraindo e a partir daí parei de fazer as unhas. As palavras dela em sala de aula foram: “Nego que é nego não usa base e não tira cutícula”.
 
Nessa mesma época, com a asserção dos góticos que passavam lápis pretos nos olhos, eu voltei a passar lápis nos olhos escondido. Como meus olhos são puxados e com poucos cílios eu achava que isso realçava essa área do rosto e ficava mais bonito, mas nunca tive coragem de sair com os olhos pintados, pois não queria ser “maricas” nem desonrar o hétero preto.
 
Dessa forma, vejo que somos sempre colocados em caixinhas porque vivemos em uma cultura rasa e preconceituosa. Hoje, aos 40 anos, percebo que minha visão de estética masculina estava dentro do meu DNA ancestral, onde ficou registrado que a maquiagem facial não faz parte somente do feminino, mas também do masculino que não é intoxicado pelo preconceito, machismo e racismo estrutural que nos limita a andar em padrões: ou você é isso ou você é aquilo. Por isso, acho de extrema importância os recortes de gêneros. Não sou gay, mas sempre tive encanto pelas maquiagens e pelos acessórios femininos e hoje acho lindo ver que, apesar dessas travas, as pessoas que não se encaixam nos padrões têm mais espaço e aceitação. O ser humano é muito plural para ser categorizado! A única coisa que deve ser padrão é o respeito. Cada um de nós merece respeito e tem o direito de ser quem quiser ser.
 
Sabe o que é pior? Com certeza, algumas pessoas não vão se expressar nunca mais, e outras talvez me julguem como gay. Se você fez isso de forma automática, precisa rever urgentemente seus conceitos, mas, se foi de forma consciente, você tem muito a aprender.

 

 

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